Quem foi Judith Cortesão?





"EXPOSIÇÃO 100 ANOS DE JUDITH CORTESÃO" 

"Maravilhados com os avanços da tecnologia, com as facilidades da informática, corremos o risco de esquecer o essencial: a vida. Salvar a vida é o grande desafio neste século 21, especialmente para os jovens."

(Judith Cortesão, Entrevista Mundo Jovem, jun. 2000)


"A ameaça à qualidade e à quantidade de vida é tão grande que não podemos ficar de braços cruzados nem atuar individualmente. Precisamos capacitar quadros e formar ecólogos, que, por princípio, sempre serão pacifistas. O importante é que o homem seja jardineiro da natureza, não usuário."

(Judith Cortesão, Prêmio Cláudia, 2000)

"Primeiro surgiu a luz, só muito mais tarde é que surgiu a matéria. Isso nos faz rever nossas ideias anteriores. Em vez de nós parecermos um acúmulo de matéria, onde se instala depois o espírito, é exatamente o reverso. Primeiro somos luz, depois matéria. Isso modifica completamente a nossa ideia sobre o universo e sobre nós mesmos, por que é muito mais profundo pensarmos que somos luz condensada do que pensarmos que somos mera matéria."
(Judith Cortesão, Ao Sul da Paisagem - Paisagens Invisíveis, 2000/2001)



"Gosto de formar agentes multiplicadores de educação ecológica

(Judith Cortesão)

O acervo pessoal da pesquisadora Judith Cortesão foi doado à FURG e está disponível na Biblioteca Setorial que a homenageia, Biblioteca Setorial da Pós-Graduação em Educação Ambiental – Sala Verde Judith Cortesão, localizada no Centro de Convivência do Campus Carreiros da FURG. 

Maria Judith Zuzarte Cortesão, conhecida como Judith Cortesão, nasceu na cidade portuguesa do Porto, em 31 de dezembro de 1914 e faleceu em Genebra, em 25 de setembro de 2007. Filha do renomado historiador Jaime Cortesão, sua família passou pelo exílio na Espanha, na França, na Bélgica e na Inglaterra e chegou ao Brasil em 1940. Ao longo de sua vida, também morou no Peru e no Uruguai e, no início dos anos 90, decidiu se estabelecer em Rio Grande/RS. 

Judith aprendeu quatorze línguas, entre elas, árabe, esperanto e chinês. Era formada em Medicina, Antropologia, Letras, Biblioteconomia, Meteorologia, Climatologia e Biologia, com cursos de especialização em Neuroendocrinologia, Genética e Reprodução Humana.

Apaixonada por pesquisa, estudou temas tão diversos como poesia canadense ou a mulher caiçara como agente de transformação. Escreveu dezesseis livros, entre eles: Pantanal, Pantanais, Juréia: a luta pela vida e Mata Atlântica. Participou da elaboração de seis filmes, como Taim: a reserva gaúcha. Foi uma das criadoras do programa Globo Ecologia e da ONG ARCA e consultora das ONGs SOS Mata Atlântica e Instituto Acqua. 

Ela idealizou o Centro de Informação e Formação de Médicos e Cirurgiões de Doenças do Aparelho Locomotor de Brasília, no Hospital Sarah Kubitschek e representou o Brasil em comissões internacionais, como as das Nações Unidas sobre Poluição Marinha de Origem Terrestre, no Quênia e a do Patrimônio da Humanidade, no Canadá.

Ministrou aulas em 16 universidades, entre elas Sorbonne (Paris) e Open University (Grã-Bretanha). Foi assessora de Política Ambiental, no Ministério do Meio Ambiente, representante, no Pantanal, do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) e diretora do Centro de Estudos Terra/Homem.

Na FURG, Judith foi professora no mestrado em Educação Ambiental. Participou de duas expedições brasileiras à Antártida e deu origem ao Programa Asas Polares, para proteção de áreas de pouso e reprodução de aves.

Em Rio Grande, também prestou consultoria aos museus Oceanográfico, Antártico e Ecomuseu da Ilha da Pólvora e foi membro do setor de Educação Ambiental do Programa Mar de Dentro, que busca recuperar a Lagoa dos Patos e seus ecossistemas.

Em 2005, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), juntamente com o Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental (PPGEA), foram contemplados no Edital 1/2005 do Ministério do Meio Ambiente para a implantação de uma Sala Verde, a qual foi denominada Sala Verde Judith Cortesão. Nela encontra-se um dos acervos pessoais da Profª. Drª. Judith Cortesão, doado à FURG por ela, ainda em vida.

Também em sua homenagem cogitou-se criar a Casa de Cultura Judith Cortesão dos Povos de Língua Portuguesa (RS), que seria no prédio onde nasceu o almirante da Marinha Brasileira Joaquim Marques Lisboa. A Casa de Cultura abrigaria o acervo da Profª. Drª. Maria Judith Zuzarte Cortesão, formado por quase seis mil peças, entre livros, revistas, teses, documentos em geral, além de artesanato dos mais diversos países. Todavia, o referido projeto nunca saiu do papel. 


Proposta de criação da Casa Judith Cortesão dos 
Povos de Língua Portuguesa

Fonte: Jornal Correio do Povo - 18/06/2003.

Fonte: Documentos da Sala Verde e reportagens coletadas na web.
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Judith Cortesão - Itatiaia/RJ.


CURRÍCULO

Breve currículo de 1998 - Este currículo foi encontrado em seu acervo pessoal e apresenta algumas atividades profissionais, acadêmicas e culturais da Profª. Drª. Judith Cortesão.

Clique aqui.

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DOCUMENTÁRIOS





Sinopse



Esta série documental enfoca a região sul do Brasil, com uma leitura das populações destas regiões e a relação do homem com o meio em que vive. Na longa viagem de Iguaçu até o Chuí, ponto extremo sul do país, revela os conflitos relativos às transformações impostas pela ação do homem e suas conseqüências.



Episódios: Ao Sul da Paisagem – A Paisagem e o Sagrado; Ao Sul da Paisagem – Paisagem e Memória; Ao Sul da Paisagem – Caminhos da Paisagem; Ao Sul da Paisagem – Paisagens Íngremes e Ao Sul da Paisagem – Paisagens Invisíveis.








A paisagem da praia, que no inverno torna-se aparentemente desoladora, revela-se protegida pela extrema diversidade de vida nela implícita. A contradição dessa paisagem que carrega vida e morte é discutida no documentário sob o ponto de vista de uma das maiores ativistas ecológicas do mundo. Condecorada pela NASA por trabalhos realizados em expedições na Antártida, Judith Cortesão reflete sobre esse cenário rico e diversificado.





Fonte: http://www.grifafilmes.com/pt-br/ao-sul-da-paisagem/

Documentário: O povo brasileiro/Darcy Ribeiro


Publicado em 20/09/2013



Capitulo 1 - Matriz Tupi

O Povo Brasileiro é uma obra do antropólogo Darcy Ribeiro, lançada em 1995, que aborda a história da formação do povo brasileiro, sua origem mestiça e a singularidade do sincretismo cultural que dela resultou. Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro e depoimentos, a série é um programa indispensável para educadores, estudantes e todos os interessados em conhecer um pouco mais sobre o nosso país.

Música: "Anhanga Ixé" por Sinhô Preto Velho 

Categoria: Educação

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Participação especial de Judith Cortesão.


Capítulo 01: Matriz Tupi




Capítulo 08: O Brasil Sulino



Os 10 capítulos do Documentário "O povo brasileiro de Darcy Ribeir" encontram-se disponíveis em:


Falas de Judith Cortesão:

Capítulo 01 - Matriz Tupi: 28:39; 34:45; 43:58; 45:30; 3:07:04; 3:11:40; 3:15:13; 3:21:37



Capítulo 8 - Brasil Sulino: 4:54; 9:28; 13:03 (Mostardas e Rio Grande), 19:26.



Fala de George Agostinho Baptista da Silva:

Capítulo 02: 48:26








Participação especial de Judith Cortesão.

Falas de Judith Cortesão: 13:03 até 17:55


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ENTREVISTAS

PROGRAMA: AÇÃO FURG 15 
ENTREVISTADO: LAURO BARCELLOS 
DATA: 26-11-2014

ENTREVISTA SOBRE JUDITH CORTESÃO NO 
PROGRAMA AÇÃO FURG EM 26-11-2014.






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BIBLIOGRAFIA

Judith Cortesão escreveu dezesseis livros, entre eles: Pantanal, Pantanais, Juréia: a luta pela vida e Mata Atlântica:

  

  


BIOGRAFIA

Maria Judith Zuzarte Cortesão (Porto, 31 de dezembro de 1914 - Genebra, 25 de setembro de 2007) foi uma professora universitária, geneticista e ecologista luso-brasileira. Era viúva do literato português Agostinho da Silva e filha do renomado historiador Jaime Zuzarte Cortesão. Teve oito filhos, dois deles adotivos, 21 netos e uma bisneta.

Aos 17 anos foi obrigada a deixar Portugal porque seu pai, Jaime Zuzarte Cortesão, estava sendo perseguido pelo governo ditatorial de António de Oliveira Salazar. Sua família passou pelo exílio na Espanha, na França, na Bélgica e na Inglaterra e chegou ao Brasil em 1940, quando Jaime aqui se instalou para pesquisar a história da formação territorial do país.

Morou ainda no Peru, no Uruguai e novamente em Portugal. Estabeleceu-se em Brasília na década de 1980 e mudou-se em 1993 para a cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Na Universidade Federal do Rio Grande (FURG), foi professora do único curso de Pós-Graduação em Educação Ambiental do Brasil. Judith dedicou-se a erudição em diversas áreas do conhecimento, dentre as quais neuroendocrinologia, genética e reprodução humana.

Acompanhou missões da Unesco em Portugal e no Brasil, e representou o Peru, o Uruguai e a Inglaterra em congressos sobre assuntos tão diversos como Medicina, Literatura e Educação. Participou ainda das duas primeiras expedições brasileiras à Antártida, em 1982 e 1983. 

Faleceu em Genebra, em 25 de setembro de 2007, aos 92 anos.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Judith_Zuzarte_Cortes%C3%A3o



Fonte: Álbum de Maria Colla Cortesão Zuzarte.

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HOMENAGENS E PRÊMIOS




A sua integração perfeita entre Ambiente, Cultura e Educação aliada a uma permanente mobilização social, fizeram da Drª. Judith uma candidata natural ao Prêmio Muriqui Especial 2000 da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Fonte: http://www.rbma.org.br/rbma/rbma_4_premio_muriqui.asp



Por que foi finalista?

Dedicou-se à educação ambiental. Portuguesa radicada no Brasil, lecionou educação ambiental marinha na Fundação Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e prestou consultoria para três museus em Rio Grande (RS): o Museu Oceanográfico, o Museu Antártico e o Ecomuseu da Ilha da Pólvora. Além disso, foi membro do Programa Mar de Dentro, que luta para recuperar a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e uma das coordenadoras do Projeto Trijunção, que estuda os cerrados da Bahia, do Mato Grosso e de Goiás.



Em 2003, em Brasília, recebe pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva a Ordem do Mérito Cultural. Celebração da Diversidade Cultural Brasileira.

Em 2003, Judith Cortesão recebeu a Ordem do Mérito Cultural - Brasília/DF.
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¹A Ordem do Mérito Cultural tem por finalidade premiar personalidades, órgãos e entidades públicas e privadas, nacionais e estrangeiras, que se distinguiram por suas relevantes contribuições à cultura. A cada ano, a comenda é entregue pelo presidente da República, que é o grão-mestre da Ordem, e pelo ministro ou ministra da Cultura, que é o/a chanceler. São premiados cidadãos, grupos artísticos, iniciativas ou instituições, com ampla abrangência temática, de forma a contemplar áreas do saber e do fazer e que tornam marcante a cultura brasileira dentro e fora do país. A administração da Ordem do Mérito Cultural é de competência do Conselho, composto pelo ministro de Estado da Cultura, que o preside na qualidade de chanceler, e pelos ministros de Estado das Relações Exteriores, da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação. O secretário executivo do Ministério da Cultura, por sua vez, é o secretário do Conselho da Ordem. A Ordem conta, ainda, com uma Comissão Técnica formada por gestores do Ministério da Cultura indicados pelo chanceler. Esses gestores serão os responsáveis em apreciar o mérito de cada proposta de nome para membro da Ordem, emitindo parecer conclusivo antes de encaminhá-lo à consideração do Conselho.
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FAMÍLIA

Pai: Jaime Zuzarte Cortesão (Ançã, Cantanhede, 29 de Abril de 1884 - Lisboa, 14 de Agosto de 1960), foi um médico, político, escritor e historiador português. Filho do filólogo António Augusto Cortesão, foi irmão do historiador Armando Cortesão e pai da renomeada ecologista Maria Judith Zuzarte Cortesão.

Acesse o livro "13 cartas do cativeiro e do exílio (1940)": o livro trás as cartas escritas pelo pai da ambientalista Judith Cortesão em 1940, um dos anos mais atribulados de sua vida, quando estava em exílio, na prisões e depois em liberdade. Um trecho do livro relata a captura de sua filha Judith Cortesão, única mulher detida com os demais exilados políticos portugueses.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jaime_Cortes%C3%A3o



Marido: George Agostinho Baptista da Silva (Porto, 13 de Fevereiro de 1906 - Lisboa, 3 de Abril de 1994), foi um filósofo, poeta e  ensaísta português. O seu pensamento combina elementos de panteísmo, milenarismo e ética da renúncia, afirmando a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano. Agostinho da Silva pode ser considerado um filósofo prático empenhado, através da sua vida e obra, na mudança da sociedade. Passou considerável tempo de sua vida no Brasil.

Fonte:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_da_Silva

Vida e obras de George Agostinho Baptista da Silva.




Agostinho da Silva (1906-1994) - Professor, pedagogo, filólogo e filósofo.





No livro "Presença de Agostinho da Silva no Brasil, Volume 1" consta um trecho de Judith Cortesão:



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Reportagem Gente - Jornal Zero Hora (RS)

Fonte: Jornal Zero Hora - 08/09/2002.



Reportagem Revista Universo-IPA


Fonte: Revista Universo-IPA - Ano 2 Dez./2007.


Reportagem de falecimento - Jornal Zero Hora (RS)
Fonte: Jornal Zero Hora - 26/09/2007.


Texto no blog português Caminhos da Memória




Fonte: Caminhos da Memória - 22/10/2008.



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Judith Cortesão também escrevia poemas. Abaixo, uma versão da oração Pai Nosso escrita por ela para seu amigo Lauro Barcellos.

PATER NOSTER

A urdidura da fraternidade
Um só sopro de vida,
uma só urdidura e simetria,
um só ritmo e arfar,
um só fluxo de chama e de paixão,
uma só e santíssima alegria

a todos une e a todos perfilha,
natos do mesmo pai,
da mesma origem,
espelhos da mesma face,
como se gêmeos foram,

herdeiros e sinônimos de um nome –
e santo, santo, santo é esse nome –
que soa no universo e, eco do Verbo,
em cada um de nós é repetido,
como um coro de vozes à distância.

Desvendados os olhos da cegueira
que nos aflige – se Vos descobrimos,
rutilante de luz, em cada vida,
em cada olhar – rodeados estaremos
pelo luar de Vossa Formosura.

Serão então, franqueados os umbrais –
o advento do reino – do Teu reino –
e nele viveremos Tua paz!

Se tudo e todos nós somos Vós – mesmo,
imersos num só sangue, num só ciclo,
num só pulsar do mesmo coração,
no pastoreio de uma só vontade –
que seja feita essa Vossa ordenança.

assim na terra e em nós como nos céus
e que exultemos, então, no arrebato
da transcendência que unge o firmamento.
e ensimesmados nessa santidade
que a tudo banha e a todos exalta.

Roguemos possam todos florescer
e para tanto tenham nosso amparo
e o pão para seu corpo e sua alma
por nós lhe seja dado cada dia
lhes permitindo ser.

Oh ! que funda amargura nos consome,
ao se abrirem por fim os nossos olhos
e vermos que negamos a existência –
em espírito e em carne e identidade,
magnífica e diversa – a tantos seres.

Que dívida nos prende a todos eles,
nossos calados, pacientes amigos,
tão doadores, a quem tanto devemos!

A nossa ofensa seja perdoada,
irmãs e irmãos, pobres e humilhados
ao passo em que, por nós, for apagado
a marca vil de nosso desamor
e em Nós a Santa Face restauremos.

Do mesmo jeito, com que perdoamos,
tão amorosamente ao filho amado
e alegres acolhemos
a toda mansa ovelha desgarrada
que de nós se afastou e ao lar retorne,

que aqueles todos a quem magoamos
possam nos devolver à condição
de Vossa terna e humana semelhança
e em nós – até em nós! –
Vos reconheçam.

E o nosso andar avance jubiloso,
livre das incertezas e desvios
de quem vacila e olha para trás
e a sarça ardente fulja e nos afaste,
da tentação da fuga e da tristeza.

E ante nós resplandeça a Tua glória
e Tu estejas em nós – e nós em Ti -
livres de todo o mal,

Amén! 


Escrito por Judith Cortesão, em 16 de agosto de 1996, para seu amigo Lauro Barcellos.
Enviado por Lauro Barcellos à Sala Verde da FURG em 26/10/12.